Recentemente vi a "A Rede Social" que conta a história do nascimento do facebook, partindo do início num alojamento em Harvard até virar uma megacorporação no Vale do Silício. O filme foi adaptado do livro de Ben Mezrich chamado "Bilionários Por Acaso - A criação do Facebook". Após ver o filme, fiquei curioso para ler o livro, pois como falei anteriormente são linguagens diferentes e objetivos diferentes e apesar da história ser a mesma na essência, os detalhes e a forma como ela contada fazem toda a diferença. O roteiro do filme segue fielmente a narrativa do livro, que por sinal é escrito de forma bem roteirizada. Talvez já com a intenção de virar filme, quem sabe...O filme pinta o Marc Zuckerberg como um puto que passou para trás seu amigo e cofundador do facebook, Eduardo Saverin, e ainda deixa no ar um cheiro de trapaça com a estória do facebook ser copiado/inspirado no projeto dos irmãos Winklevoss, que o chamaram pra programar uma ideia de rede social que tiveram.
Depois de assitir o fillme e ler o livro, finalmente enxerguei um porque de existir esta rixa boba entre filme x livro. Em geral há um tendência de se afirmar que o livro é melhor, pois se aprofunda mais na história ou talvez porque quem fala isso se vanglorie do fato de ser um leitor, uma pessoa culta, então dizer que o livro é melhor não seja nada mais que se enaltecer pelo fato de ser cabeçudo. Mas o que há mesmo no livro e que não há no filme é o espaço para a reflexão durante a história. Num filme, a menos que você seja uma pessoa com hábitos muito esquisitos, não se pausa a história para pensar e refletir sobre a cena que acabou de passar. Filme é entretenimento, é sentar na cadeira por duas horas para ser envolvido por uma história contada através de imagens. Já no livro isso não ocorre. Uma mudança de capítulo pode vir acompanhado de uma pausa para ir ao banheiro, um cochilo, a história talvez seja continuada apenas na próxima viagem no metrô ou qualquer outro lugar aonde seja confortável a leitura. E as vezes o que se lê pede um momento de reflexão. A interação com a história é completamente diferente. No livro somos mais facilmente convidados a refletir sobre o que está acontecendo naquele enredo e o fato de não haver imagens em sequência ativa a sua imaginação a criar os cenários que ali são descritos. Isto é completamente diferente do filme, aonde os cenários e a escolha dos takes/ângulos das cenas são determinados pelo diretor da história, e o que se assiste é a visão do realizador sobre aquela história. Não que isso diminua o filme ante ao livro. De forma alguma. Aliás se o diretor for bom, a probabilidade do filme ser bom aumenta exponencialmente. Agora reflexão no filme, só quando terminado mesmo, porém aí a história já foi contada sob uma ótica e seus sentimentos em relação aquela história já será influenciada em alguma medida.
Outra ponto que é melhor sentido lendo um livro é a passagem de tempo. Como no filme a história é espremida naquelas duas horas, passagens de tempo (dias, semanas, meses) são muito elipsadas e isso as vezes pode comprometer o entendimento da história. Ainda acho que um bom diretor tem a obrigação de resolver isso no seu filme, mas é um ponto delicado e que não deve ser relegado a segundo plano. Passagens de tempo num livro são melhor entendidas, mesmo porquê nossa leitura também tem um tempo próprio. Como mencionei antes, normalmente a leitura do livro é fragmentada. A leitura de um livro pode durar semanas...e de certa forma isso contribui para absorver melhor a passagem do tempo na história.
Voltando ao exemplo de A Rede Social, a impressão que tive ao terminar o livro é de que talvez o Zuckerberg não tenha sido tão puto assim. Justamente por ter uma compreensão melhor da passagem do tempo no livro. Da evolução da história acontecer em semanas e meses, e não entre takes e cortes.
Mas como comecei dizendo, são meios diferentes, com objetivos diferentes.
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